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Fotografia: Manuel Ribeiro
© Paróquia de S.Pedro de Évora


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Identificação do Monumento:
Capela dos Ossos, no antigo Convento de S. Francisco de Évora
Outra designação:
Capela dos Ossos
Localização:
Évora, Portugal
Data:
Estrutura base: cerca de 1515; decoração: séculos XVII-XVIII
Tipologia do monumento:
Arquitectura religiosa (capela funerária).
Artistas:
Desconhecido
Encomendado por:
Ordem de S. Francisco (século XVII-XVIII).
Historial:
Aproveitando as dependências por detrás da Sala do Capítulo do enorme Convento de S. Francisco (parcialmente destruído no século XIX), os frades resolveram instalar ali um programa iconográfico em torno da exibição dos valores sensíveis da Morte, através de um trabalho de embrechado “orgânico”. Não falta sequer um cadáver seco e mumificado, pendurado numa das paredes, para elevar o tom macabro do conjunto. Ao todo, segundo a análise antropológica empreendida, contabilizam-se restos de cerca de 5.000 indivíduos. Estes restos mortais foram todos eles recolhidos no Convento, uma vez que este serviu de lugar de sepultamento na cidade de Évora.
Descrição:
A Capela dos Ossos é frequentada por inúmeros visitantes que se deslocam a Évora, e tornou-se quase que um ponto de passagem obrigatório. Porém, a valia artística desta capela é escassa. De facto, trata-se de um conjunto em que prevalece a visão macabra dos ossos, geometricamente dispostos nas paredes, abóbadas e colunas, sem deixar qualquer espaço por preencher. Meticulosamente dispostos, os ossos – tíbias e perónios, sobretudo, e séries de caveiras que configuram o lambril - servem de revestimento. Este facto confere ao edifício o aspecto de uma gruta ou de um espaço proibido e uma inesperada proximidade com os vestígios da “morte”, que assim se oferece em espectáculo. A Capela dos Ossos de Évora é a face mais visível e mais conhecida, mesmo internacionalmente, de uma realidade que se pode encontrar nos países católicos, nomeadamente em Itália e Espanha, e que, em Portugal, possui paralelismos ou réplicas em Monforte, Campo Maior, Faro e Alcantarilha.
Como foi estabelecida a datação:
Análise estilística e evidência histórica.

 

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Parede revestida por ossos

Interior

Séculos XVII–XVIII

Desconhecido

A sensibilidade barroca, dando, aliás, livre curso a uma tendência que se desenhava desde finais da Idade Média, faz da morte, do passamento e até dos funerais um espectáculo, que demonstra que o falecido, tanto quanto possível, foi acarinhado até ao lugar da sua sepultura e descanso eterno e que foi servido por uma “boa morte”. As invocações a Nossa Senhora da Boa Morte, por exemplo, têm raízes nesta tradição.
 
 
Coluna e abóbadas com ossadas

Interior

Séculos XVII–XVIII

Desconhecido

Exibição espectacular da brevidade da Vida e da incontornabilidade da Morte. A caveira e os ossos são a evidência terrena da Morte do Corpo, por oposição ao enlevo estético da Redenção ou da Salvação. Este gosto pela exibição dos ossos, a que se chama morte secca, entronca na alegoria da meditação cristã: a Vida é apenas uma passagem; este Mundo não é o destino definitivo; o destino definitivo é a Salvação da Alma.
 
 
Inscrição sobre o arco da entrada

Entrada.

Séculos XVII–XVIII

Desconhecido

Neste caso, trata-se, muito concretamente, de dar conta de como a Vaidade das coisas mundanas deve ceder o passo à vida exemplar e à renúncia dos bens terrenos. Daí a inscrição que se encontra na porta da Capela dos Ossos, destinada a quem entra: “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”.
  Bibliografia seleccionada:
Esperança, Fr. M. da, Historia Seráfica da Ordem dos Frades Menores de São Francisco na Província de Portugal, Lisboa, Officina Craesbeeckiana, 1656.
Espanca, T., Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Vol. 6, Lisboa, 1966.
Louro, Pe. H. da S., Capelas de Ossos na Arquidiocese de Évora, Évora, 1992.
Velosco, C., "A Casa dos Ossos" in Revista Monumentos, nº. 17, Setembro 2002, pp. 37–41.
Citation:
Paulo Pereira "Capela dos Ossos, no antigo Convento de S. Francisco de Évora" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;19;pt
Autoria da ficha: Paulo Pereira
Número interno MWNF: PT 19