Fotografia: João Paulo,  © Turismo de PortugalFotografia: Venerável Ordem de S. Francisco, Porto,  © Venerável Ordem de S. Francisco, PortoFotografia: Fernando Noronha,  © Venerável Ordem de S. Francisco, PortoFotografia: João Paulo,  © Turismo de PortugalFotografia: Venerável Ordem de S. Francisco, Porto,  © Venerável Ordem de S. Francisco, Porto


Identificação do Monumento:

Igreja Monumento de São Francisco

Outra designação:

Igreja de São Francisco de Assis

Localização:

Porto, Portugal

Contact DetailsIgreja Monumento de São Francisco
Rua do Infante D. Henrique
4050-297 Porto
T : +351 22 206 2100
F : +351 22 200 9412
E : drocha-osf@mail.telepac.pt
Venerável Ordem Terceira de São Francisco (Responsible Institution)

Data:

Séculos XIII-XIV (estrutura); séculos XVII-XVIII (decoração em talha dourada)

Artistas:

Arquitecto: Francisco do Couto e Azevedo [n.d.]; escultores: António Gomes [n.d.]; Filipe da Silva (activo 1718–n.d.); escultores: Luís Pereira da Costa (activo 1724–n.d.), Manuel Carneiro Adão (activo 1719–n.d.), Manuel Pereira da Costa Noronha (activo 1750–1751), Manuel da Costa Andrade (activo 1740–1743); entalhador: Francisco Pereira Campanhã (activo1764–n.d.).

Tipologia do monumento:

Arquitectura religiosa (igreja).

Encomendado por:

Ordem de S. Francisco; Ordem Terceira da Irmandade de S. Francisco, do Porto; irmandades e confrarias portuenses.

Historial:

As campanhas de obras de instalação da retabulística e da talha em geral estendem-se desde inícios do século XVII até finais do século XVIII. Registe-se que, apesar da diversificação de encomendas e, até, da coexistência, em determinados períodos, de retábulos e talha de épocas e de estilos distintos, veio a dar-se como que uma espécie de unificação estilística, com uma concentração de encomendas na primeira metade do século XVIII. O facto tem a ver com o próprio fulgor da cidade do Porto num período chave de enriquecimento burguês, com diversas irmandades a intervirem com encomendas de prestígio. Como se percebe, a Igreja de S. Francisco actua, hoje, como um verdadeiro museu da talha dourada nortenha e da imaginária, com alguns dos seus principais autores ligados ao enriquecimento do templo.

No século XIX, com a extinção das ordens religiosas e um violento incêndio ocorrido em 1833, logo a seguir ao cerco do Porto pelas tropas miguelistas, o convento entrou em declínio, foi incendiado e a igreja foi ocupada para diversos fins, como o de armazém da Alfândega da cidade.

A Igreja de S. Francisco foi classificada como monumento nacional no ano de 1910 e, estando inserida no centro histórico da cidade do Porto, passou a ser Património Mundial da Unesco desde 1996.

Descrição:

Igreja gótica mendicante, de três naves, revestida, no período barroco, com talha dourada e imaginária barroca. Em S. Francisco do Porto assiste-se à gradual instalação, no corpo do templo, de vários altares e retábulos que virão a forrar inteiramente a igreja, transformando-a por completo e concedendo-lhe uma roupagem plenamente barroca. Deflagrando os sentidos através da talha e do seu douramento, nem mesmo as nervuras do tecto são deixadas à vista, sendo, pelo contrário, revestidas pela ornamentação rica da talha. De algum modo, isso deve-se a um princípio programático já conhecido e caracteristicamente barroco: se o exterior do edifício corresponde ao corpo, o seu interior é a expressão da alma, enriquecida pelos dons de Deus. Daí a sua densa ornamentação e, neste caso, a própria ocultação da sua estrutura arquitectónica, numa objectiva manifestação corpórea que, assim, é resgatada da sua condição material para passar à ordem espiritual das coisas.

View Short Description

Igreja gótica, do tipo “mendicante”, da Ordem de S. Francisco, erguida nos séculos XIII-XIV; revestimento integral de talha dourada durante os séculos XVII a XVIII, através de diversas campanhas de obras.

Como foi estabelecida a datação:

Evidência histórica e análise estilística.

Special features

Retábulo da Árvore de Jessé

Interior

1718–1719

Entalhadores: António Gomes [n.d.]; Filipe da Silva (activo 1718–n.d.); escultor: Manuel Carneiro Adão (activo 1719–n.d.).

Encenação da genealogia de Cristo e da Virgem Maria em madeira policromada. Na base, a figura de Jessé, de onde brota um tronco – o “tronco” da genealogia de Cristo – com os mais antigos antepassados da Sagrada Família, entre os quais, os reis David e Salomão.

Retábulo de Santo António

Interior

1724

Luis Pereira da Costa

Exemplo da talha dourada da época de D. João V.

Retábulo da Nossa Senhora do Socorro

Interior

1740

Arquitecto: Francisco do Couto e Azevedo [n.d.]; entalhador: Manuel da Costa Andrade (activo 1740–1743).

Exemplo do estilo D. João V.

Retábulo dos Santos Mártires de Marrocos

Interior

1750–1751

Manuel Pereira da Costa Noronha (activo 1750–1751).

Exemplo de uma fase tardia do estilo D. João V.

Retábulo da Nossa Senhora da Soledade

Interior

1764–1765

Francisco Pereira Campanhã (activo 1764–n.d.)

Retábulo em talha dourada ao estilo rococó.

Bibliografia seleccionada:

Smith, R. C., A talha em Portugal, Lisboa, 1963.
Chicó, M. T., A Arquitectura Gótica em Portugal, Lisboa, 1981.
Borges, N. C., História da Arte em Portugal. Do barroco ao rococó, vol. 9, Lisboa, 1987.
Alves, N. M. F., “De arquitecto a entalhador. Itinerário de um artista nos séculos XVII e XVIII”, Actas do I Congresso Internacional do Barroco, Vol. 1, Porto, 1991, pp. 355 – 369.
Dias, P., A Arquitectura Gótica Portuguesa, Lisboa, 1994.
Quaresma, M. C. de C., Inventário Artístico de Portugal, Cidade do Porto, Lisboa, 1995.

Citation:

Paulo Pereira "Igreja Monumento de São Francisco" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2016. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;23;pt

Autoria da ficha: Paulo PereiraPaulo Pereira

APELIDO: Pereira
NOME PRÓPRIO: Paulo

ORGANISMO: Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa

CARGO/FUNÇÃO: DOCENTE UNIVERSITÁRIO

CV:
Historiador de Arte. Conferencista convidado em diversos seminários e congressos em Portugal, Espanha, França, Itália, EUA e Brasil. É autor e coordenador de várias obras sobre a História da Arte Portuguesa, algumas das quais galardoadas. Comissariou exposições em Gand, Bruxelas, Berlim e Portugal, em cujos catálogos colaborou. Foi Chefe da Divisão de Museus da Câmara Municipal de Lisboa e Vice-Presidente do IPPAR, actual IGESPAR. É docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

Número interno MWNF: PT 23

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