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Fotografia: José Pessoa
© DDF/IMC,IP


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Identificação do Monumento:
Igreja e Convento da Madre de Deus
Localização:
Lisboa, Portugal
Data:
1509–1589
Tipologia do monumento:
Arquitectura religiosa.
Artistas:
Arquitecto: Diogo de Torralva (1551–n.d.); pintores: Marcos da Cruz [n.d.], Bento Coelho da Silveira (1648–1708), André Gonçalves (1685–1762); pintores de azulejos: Jan van Oort [n.d.], Willem van der Kloet [n.d.], Gabriel del Barco (1649–c.1703); entalhador: Félix Adauto da Cunha (activo 1746-1759); figuras de terracotta do presépio: António Ferreira [n.d.].
Encomendado por:
Rainha D. Leonor, viúva do rei D. João II, e rei D. João III. Reis D. Pedro II, D. João V e D. José I.
Historial:
Para alojar um pequeno grupo de freiras franciscanas da primeira Regra de Santa Clara, a rainha D. Leonor fundou, em 1509, este conjunto monástico que pertencia à Casa da Rainha. D. João III ordenou uma segunda remodelação, incumbindo o arquitecto Diogo de Torralva da traça de uma nova igreja de maiores dimensões (1550), correspondente à actual, convertendo-se a velha igreja em Casa do Capítulo. Estas obras arrastaram-se até finais do século XVI.

Durante o século XVII, a nave e a capela-mor foram decoradas por vários pintores, entre os quais se inclui André Gonçalves, autor de várias telas e também da pintura a óleo sobre tela do arco triunfal. Entre 1698 e 1707, os pintores holandeses Jan van Oort e Willem van der Kloet produziram os painéis de azulejo da nave e da capela-mor. Fortemente danificado pelo terramoto de 1755, o altar-mor foi redesenhado por Felix Adauto da Cunha, conforme encomenda do rei D. José I.
Descrição:
Igreja de nave única, de paredes lisas e abóbada de berço, comunicando através de um arco triunfal de volta perfeita com a capela-mor, de idêntica largura e atrás da qual se encontra a sacristia. O coro alto, reservado às monjas franciscanas, está no extremo oposto da capela-mor. Por baixo deste, encontra-se o coro baixo, correspondente à primitiva igreja, encomendada por D. Leonor.
A igreja está decorada com pinturas a óleo, azulejos, altares e esculturas de talha dourada. As pinturas retratam várias cenas da vida de São Francisco e de Santa Clara e os azulejos cenas de devoção e do dia-a-dia da vida em clausura.
Como foi estabelecida a datação:
Evidência histórica e análise estilística.

 

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Pinturas e azulejos da nave e da capela-mor

Nave e capela-mor

Pinturas do tecto: c.1675–1690; pinturas do arco triunfal: c.1740–1750; azulejos: 1698–1707; púlpito: 1747–1759; altar-mor: depois de 1755

Pintores: Marcos da Cruz [n.d.], Bento Coelho da Silveira (1648–1708), André Gonçalves (1685–1762); pintores de azulejos: Jan van Oort [n.d.], Willem van der Kloet [n.d.], Gabriel del Barco (1649–c.1703); entalhador: Félix Adauto da Cunha (1746–1759)

São da oficina de Marcos da Cruz as vinte pinturas do tecto a óleo sobre tela, representando o ciclo da vida da Virgem. Bento Coelho da Silveira executou as duas séries de pinturas narrativas, dispostas nas paredes em duas fiadas sobrepostas, a superior sobre a vida de Santa Clara e a inferior sobre a vida de São Francisco. São atribuídas a André Gonçalves as pinturas do arco triunfal sobre a Coroação da Virgem pela Santíssima Trindade. O arco do cruzeiro é ladeado por duas telas representando S. Francisco e Santa Clara. O holandês Willem van der Kloet é o autor dos azulejos da nave, junto ao púlpito rococó, encomendados na Holanda, representando monges franciscanos orando. Jan van Oort é o autor dos da capela-mor, que reproduzem a visão do Papa Nicolau V perante o cadáver de São Francisco.
 
 
Altares laterais da Sala do Capítulo

Comunicando com a nave da Igreja

Finalização dos altares laterais entre 1750 e 1755

Terão, provavelmente, pertencido à capela-mor e à sacristia até ao reinado de D. João III (1521-1557). Os dois altares laterais foram instalados durante os reinados de D. João V (1706-1750) e de D. José I (1750-1777), sendo, respectivamente, dedicados à Morte de Cristo e a Nossa Senhora da Boa Morte.
 
 
Capela de Santo António ou ante-coro

Junto ao coro

Meados do século XVIII

André Gonçalves (1685–1762); figuras de terracotta do presépio: António Ferreira [n.d.] e Dionísio Ferreira [n.d.]

Para além de um notável soalho marchetado em madeira brasileira, a capela de Santo António é decorada com um friso de painéis de azulejos com cenas das vidas dos eremitas Santo Antão e São Paulo, encimado por várias pinturas sobre a vida e os milagres de Santo António de Lisboa, dispostos na parede e no tecto. Por trás de uma porta monumental, encontra-se o presépio da Madre de Deus, composto por quarenta e duas figurinhas de terracotta esculpida policroma.
 
 
Coro ou Sala do Tesouro

Oposto à capela-mor

Finalizado entre 1746 e 1759

Marcos da Cruz [n.d.], Bento Coelho da Silveira (1648–1708), André Gonçalves (1685–1762)

Provavelmente usado como lugar de reunião pelas monjas, com soalho marchetado em madeira brasileira, era também designado Sala do Tesouro pela profusão de vitrinas de talha com relicários, que, dispostos por cima do cadeiral, contêm estátuas de madeira estofada. O varandim para a Igreja é encimado por um tabernáculo ostentando as armas do rei D. José I. Azulejos decoram os vãos das janelas e no tecto e nas paredes distribuem-se pinturas sobre a vida de Cristo e da Virgem Maria, dos séculos XVII e XVIII.
 
 
Vista geral da sacristia

Sacristia por detrás da capela-mor

Cerca de 1746

Entalhador: Félix Adauto da Cunha (activo 1746–1759); pintor: André Gonçalves (1685–1762)

A sacristia foi redesenhada com pavimento embrechado e uma mesa de mármore. Dois painéis de azulejos com brasões dos franciscanos e da família real sobre os quais se distribui uma série de pinturas de temática religiosa. Num dos cantos, enorme arcaz de ébano brasileiro com três pinturas sobre tábua, encastradas de talha dourada.
  Bibliografia seleccionada:
Borges, N. C., “A Escultura e a talha”, in História da Arte em Portugal, vol. 9, Lisboa, 1987, pp. 41–63.
Caeiro, B. M., Os Conventos de Lisboa, Porto, 1989.
Santana, F., Sucena, E., Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, 1994.
AA.VV, Igreja da Madre de Deus: história, conservação e restauro, Lisboa, 2002.
Henriques, P., (…) Museu Nacional do Azulejo, Instituto Português de Museus Lisboa, 2006.
Citation:
Cristina Correia "Igreja e Convento da Madre de Deus" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;2;pt
Autoria da ficha: Cristina Correia
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