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Fotografia: Confraria do Bom Jesus do Monte
© Confraria do Bom Jesus do Monte


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Identificação do Monumento:
Santuário do Bom Jesus de Braga
Outra designação:
Bom Jesus do Monte
Localização:
Tenões, Braga, Portugal
Data:
Século XV (fundação); 1723–1811 (obras barrocas)
Tipologia do monumento:
Arquitectura religiosa (santuário de peregrinação; sacromonte).
Artistas:
Arquitectos: Manuel Pinto de Vilalobos (atr.) (n.d–1734), André Soares (atr.) (1720–1769), Carlos Amarante (1748–1815); mestre pedreiro: António Ferreira Lopes; entalhadores: Elias Gomes dos Santos, João Bernardo da Silva, João Álvares Bezerra, João Martins Coelho; escultores: António de Campos Peixoto, António José Pereira, António Monteiro, António Pinto, Domingos António, Domingos Ferreira, Evangelista Vieira, Félix António e outros; pintores: Pedro Alexandrino de Carvalho e outros, cujas datas são desconhecidas.
Encomendado por:
D. Jorge da Costa, Arcebispo de Braga (1493–1498); D. Rodrigo de Moura Teles (1644–1728), Arcebispo de Braga (1704–1728); D. Gaspar de Bragança, Arcebispo de Braga (1758–1789).
Historial:
Na origem do Santuário do Bom Jesus de Braga, que remonta a 1494, esteve o reformador da Sé de Braga, o influente arcebispo, D. Jorge da Costa, certamente correspondendo a um impulso de devoção popular. É no século XVII, porém, que o Bom Jesus se começa a constituir como um santuário com a tipologia de “sacromonte”, datando de 1629 a fundação da Confraria do Bom Jesus do Monte, a nomeação de um ermitão – Pedro do Rosário -, bem como a reedificação do templo e a construção de capelas dos Passos da Cruz, alicerçando, assim, a devoção do local em bases “barrocas”, com um carácter que transforma gradualmente a romaria que, pelo menos desde finais do século XV, aí se realizava. As obras que ali foram efectuadas, especialmente as do século XVIII, tornaram este conjunto barroco num dos mais conhecidos em todo o mundo. O grande impulso que posicionou o programa do Bom Jesus como uma prioridade de longo prazo deve-se a D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo de Braga, que, em 1723, decide reformar todo o santuário, acentuando a sua linguagem barroca através de uma escadaria monumental com um programa iconográfico rebuscado. A estrutura em escada impõe o regime ascensional, disciplinando-o. Nasce, então, o grande pórtico da entrada e uma nova igreja de planta elíptica, que foi, entretanto, substituída pela que hoje se encontra no cimo do monte, esta construída já nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.
Descrição:
Massa contínua de escadas e de pequenos volumes dispostos de forma predominantemente simétrica, ladeada por vegetação frondosa e coroada, no topo, por uma igreja. Apresenta segmentos ou “áreas”, subdivididas em três “escadórios”, dedicados à Via Sacra, aos cinco sentidos e às cinco virtudes. O Terreiro de Moisés está no topo, dando acesso à Igreja. A entrada no sacromonte é feita por um pórtico monumental, onde se rasga um portal de volta perfeita encimado pelas armas de um dos principais animadores do último estágio do programa, o arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles. De cada lado, jorram duas fontes, encimadas por duas inscrições dando conta, uma delas, de que nos encontramos perante “JERUSALEM SANCTA RESTAURADA E REEDIFICADA NO ANNO DE 1723”. No patamar superior, encontram-se, de cada lado da entrada e antes da escada central, duas grandes capelas de planta quadrangular, com óculos para iluminação. Segue-se um conjunto de escadas compostas por trinta e nove lanços, que dão para terraços intermédios e para terraços principais. Os lanços desenvolvem-se em ziguezague pela encosta acima. Em cada um destes, encontra-se uma capela de planta centrada, hexagonal ou octogonal, com uma fonte associada. Cada capela é identificada por uma inscrição alusiva a um episódio da Paixão de Cristo e pelo seu recheio escultórico e baixos-relevos de deuses romanos pelos seus atributos ou por uma inscrição nos espaldares das fontes. O Escadório dos Cinco Sentidos foi construído a partir de 1725. Trata-se de um tema alegórico que remete para a redenção individual, em que o Mal é transformado em Bem através do domínio dos instintos (dos Sentidos) e pela valorização do espírito em detrimento do carnal. As seis fontes, esculpidas em granito com apontamentos rocaille, situam-se no eixo central do conjunto, sobre um fundo ornamental. Figuras alegóricas representando os sentidos, coroam as fontes. Segue-se-lhe, imediatamente, o Escadório das Virtudes, executado já no tempo do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, na segunda metade de século XVIII. O esquema geral é idêntico ao anterior (uma imagem central ladeada por outras duas), pese embora as fontes estarem instaladas em grandes nichos, no meio do espaldar das escadas. Ergue-se, finalmente, o templo, cuja construção se iniciou em 1784 e terminou em 1811, com uma fachada neoclássica com duas torres sineiras.
Como foi estabelecida a datação:
Evidência histórica e análise estilística.

 

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Fonte das Cinco Chagas

Escadaria dos Cinco Sentidos, Santuário do Bom Jesus de Braga

Cerca de 1725

Desconhecido

O mote para o tema dos Sentidos é dado pela primeira das fontes, que se refere, precisamente, ao sofrimento de Cristo, apresentando o símbolo que sintetiza, por excelência, a Via Crucis: trata-se da Fonte das Cinco Chagas. A cartela da fonte apresenta, em relevo, os instrumentos da Paixão de Cristo.
 
 
Escadório dos Cinco Sentidos e Fontes da Visão e do Paladar

Escadório dos Cinco Sentidos

Cerca de 1725

Desconhecidos

Neste escadório, procede-se, ainda, a uma hierarquia do tema dos cinco sentidos, como que revelando, no percurso ascensional, o grau de corporeidade que se deve atribuir a cada um dos sentidos em causa. As figuras mitológicas do eixo da fonte foram rebaptizadas ou re-“cristianizadas”, a mando da Mesa da Confraria, em 1774, que considerou “indecorosíssima” a sua mistura com as figuras bíblicas. Mudaram-se apenas as inscrições nas cartelas legendadas, tendo-se mantido as imagens, cuja denominação original se conhece.
 
 
Exemplos das capelas da Via Sacra: Capela da Flagelação e Fonte de Mercúrio; Capela da Crucificação e interior da Capela das Quedas

Primeiro terraço

1723–1725

Desconhecido

Imediatamente antes do Escadório dos Cinco Sentidos, encontram-se a capela das Quedas e a capela da Crucificação, como que acentuando a “dor” de Cristo ou a Via Dolorosa enquanto elemento de purificação.
 
 
Igreja do Bom Jesus: fachada no estilo neoclássico

Exterior

1784–1811

Carlos Amarante (1748–1815)

Os nichos acolhem, ao nível térreo, a imagem de dois profetas (Jeremias e Isaías). Na banda superior, sobre a cornija, encontram-se imagens dos quatro Evangelistas.
 
 
Interior

Igreja do Bom Jesus

Cerca de 1684–1711

Carlos Amarante (1748–1815) e outros

Vista geral do interior da Igreja. No altar-mor existe uma majestosa representação do Calvário, com estátuas em tamanho natural.
  Bibliografia seleccionada:
Aranha, M., Epitome da vida e virtudes do Excelentissimo Senhor D. Rodrigo de Moura Telles, Arcebispo de Braga, Lisboa, 1743.
Vieira, M. A., Descripção do Prodigioso Augusto Sanctuario do Bom Jesus do Monte da Cidade de Braga, antigamente nomeado de Santa Cruz, Lisboa, 1793.
Massara, M., Santuário do Bom Jesus do Monte – fenómeno tardo-barroco em Portugal [dissertação de mestrado], 2 vols, Lisboa, 1982.
Pereira, J. F., “Retórica da Fé: simbolismo e decoração no Escadório dos Cinco Sentidos, Claro-Escuro”, in Revista de Estudos Barrocos, nº. 1, Novembro 1988, Lisboa.
Bezerra, J. A. X., Subsídios para uma outra "leitura" do Bom Jesus do Monte – Santuário de Peregrinação, Braga, 2002.
Citation:
Paulo Pereira "Santuário do Bom Jesus de Braga" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;33;pt
Autoria da ficha: Paulo Pereira
Número interno MWNF: PT 33