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© Câmara Municipal de Almeida


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Identificação do Monumento:
Fortaleza de Almeida
Outra designação:
Vila Fortificada de Almeida
Localização:
Almeida, Guarda, Portugal
Data:
1641-1680
Tipologia do monumento:
Arquitectura militar (fortaleza abaluartada).
Artistas:
Pierre Gille de Saint-Paul, engenheiro militar francês (activo c. 1641–1651); Pierre Garsin (activo 1645–1646), engenheiro militar francês; João Saldanha e Sousa, engenheiro militar português (activo c. 1641–1650); David Álvares, empreiteiro português (activo c. 1641–1650); Miguel Luís Jacob, engenheiro militar português (1762).
Encomendado por:
Rei D. João IV (1604–1656; r. 1640–1656). Coroa: Junta da Fortificação (1641); D. Álvaro de Abranches.
Historial:
A construção da fortaleza de Almeida resultou do processo de fortificação do reino, pensado e parcialmente executado no reinado de D. João IV, no contexto das chamadas Guerras da Restauração (1641-1668). Após a restauração de 1640, e face à retaliação espanhola, havia que reforçar as fronteiras portuguesas. Pronta por volta de 1680, a fortaleza iria ser posta à prova durante a Guerra dos Sete Anos, no cerco que lhe moveu o general O’Reilly. Em 1810, no decurso das Guerras Napoleónicas, a praça-forte foi cercada e conquistada por Massena, numa altura em que carecia já de obras de recuperação e, depois, pelas tropas luso-britânicas sob o comando de lord Wellington. Durante o cerco francês, deu-se a explosão do paiol, que destruiu o antigo castelo manuelino e a igreja matriz. Ficou também destruída a maior parte do tecido urbano e as estruturas defensivas foram profundamente abaladas.
Descrição:
Em terreno de topografia bastante suave, promoveu-se a instalação de uma gigantesca couraça de pedra, precedida de avançados também de pedra, por sua vez complementados por terraplenos. A fortaleza desenvolve-se a partir de uma planta de base hexagonal, quase regular. Nos vértices do hexágono, encontram-se os revelins. Os baluartes, que também comandam as operações de defesa, com a sua característica forma de “diamante”, dispostos radialmente, na cintura interna, constituem uma notável obra de engenharia, cuja escala é acentuada pela grande profundidade do fosso que os envolve e que continua ao longo do perímetro da muralha pelo exterior. Os equipamentos no interior da praça visavam, por sua vez, a autonomia longa e permanente em caso de cerco. Assim, encontram-se, para além de subterrâneos abobadados (casamatas), um revelim doble e os paióis. A praça-forte é composta por seis baluartes: de Santo António, com 18 canhoneiras; de S. Pedro, com 10 canhoneiras e paiol soterrado; de S. Francisco; de S. João de Deus, com 28 canhoneiras e casamatas; de Santa Bárbara, padroeira dos artilheiros, com 23 canhoneiras e um paiol; Capela de Sta. Bárbara de que só se conhece o registo; de Nossa Senhora de Brotas, com 13 canhoneiras, e o antigo edifício do Trem, hoje conhecido como Picadeiro. Em frente às cortinas defensivas e entre os baluartes, encontram-se as instalações avançadas dos revelins da Cruz, dos Amores, da Brecha, de Santo António, do Paiol e o revelim doble (em ângulo) ou do Hospital de Sangue. São duas as portas principais da Fortaleza: a de São Francisco e a de Santo António. Existem também três poternas, de uso exclusivamente militar.
Como foi estabelecida a datação:
Evidência histórica e análise estilística.

 

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Portas duplas de S. Francisco (porta do revelim, exterior, e porta magistral, interior)

Exterior

1646–1661

Pierre Garsin (atrib.).

Eixo principal de serventia da povoação e fortaleza de Almeida. Retoma um desenho de Salomon de Broffe.
 
 
Portas duplas de Santo António

Exterior

Cerca de 1645–1646

Pierre Garsin (atrib.).

Porta desenhada ao gosto classicista da arquitectura militar francesa.
 
 
Fosso, baluarte, cortina e revelim

Exterior

Cerca de 1650

Pierre Gilles de Saint-Paul (atrib.).

A estrutura dos novos dispositivos defensivos constituía um forte elo de coesão, com efeitos dissuasores para os exércitos inimigos.
 
 
Casamatas para os soldados

Interior das muralhas

1641–1651

Pierre Gilles de Saint-Paul, Manuel de Azevedo Fortes e outros

Dezoito das vinte divisões subterrâneas têm ventilação, acesso a um poço e a uma mina de água, bem como um sistema de drenagem de águas. Em caso de ataque, os habitantes de Almeida encontravam aqui refúgio. Também serviu de alojamento para os militares, de armazém e até de hospital, em ocasiões mais críticas.
 
 
Baluarte

Interior

1641–1651

Pierre Gilles de Saint-Paul e outros

O baluarte de S. João de Deus tem 28 canhões com casamatas.
  Bibliografia seleccionada:
Pimentel, L. S., Methodo Lusitanico de Desenhar as Fortificaçoens das Praças Regulares & Irregulares, Lisboa, 1680, p. 318.
Azevedo, M. de, O Engenheiro Portuguez…, Lisboa, 1729, Vol.II, p. 292.
Gomes, R. C., Castelos da Raia. Beira, Vol. I, Lisboa, 1997.
Moreira, R., “Do Rigor Teórico à Urgência Prática: a Arquitectura Militar” in História da Arte em Portugal, O Limiar do Barroco (ed. Carlos Moura), Lisboa, 1986.
Valla, M., “O Papel dos Arquitectos e Engenheiros-Militares na Transmissão das Formas Urbanas Portuguesas”, apresentado no 4º Congresso Luso-Afro-Brasileiro, Rio de Janeiro, 1996, in Revista Urbanismo, Vol. I.
Campos, J., Almeida Gates and Posterns of the Fortress, Câmara Municipal de Almeida, 2007.
Citation:
Paulo Pereira "Fortaleza de Almeida" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;34;pt
Autoria da ficha: Paulo Pereira
Número interno MWNF: PT 34