Fotografia: Rui Rodrigues,  © Câmara Municipal de Sesimbra	Fotografia: Turismo de Portugal,  © Turismo de PortugalFotografia: Rui Rodrigues,  © Câmara Municipal de Sesimbra	Fotografia: José Couto,  © Câmara Municipal de Sesimbra	Fotografia: José Couto,  © Câmara Municipal de Sesimbra


Identificação do Monumento:

Santuário do Cabo Espichel

Outra designação:

Santuário de Nossa Senhora do Cabo; Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua

Localização:

Sesimbra, Setúbal, Portugal

Contact DetailsSantuário do Cabo Espichel
Estrada Nacional 379
2970 Sesimbra
T : +351 21 228 8500
F : +351 21 228 8265
E : turismo@cm-sesimbra.pt
Confraria de Nossa Senhora do Cabo Espichel (Responsible Institution)

Data:

Entre os séculos XV e XVIII

Artistas:

Atribuído ao arquitecto João Antunes (1642–1712); pintor Lourenço da Cunha (activo 1740–1743).

Tipologia do monumento:

Arquitectura religiosa (santuário de peregrinação).

Encomendado por:

Rei D. João I de Portugal (1357–1433; r. 1385–1433); Irmandade de Nossa Senhora do Cabo Espichel (séculos XVII-XXI); Casa do Infantado; rei D. José I de Portugal (1714–1777; r. 1750–1777).

Historial:

A origem do culto que se presta no Santuário do Cabo Espichel remonta à Idade Média, com maior incidência a partir do século XV, embora a maioria dos edifícios que ali se encontra, exceptuando a Ermida da Memória, ou Ermida de Santa Maria da Pedra da Mua, seja já dos séculos XVII e XVIII, período que é também o de maior afluência de peregrinos, bem como o de maior atenção e protecção régias, especialmente no reinado de D. José I. A origem do Santuário deve-se a uma lenda segundo a qual uma velha de Caparica (margem Sul do Tejo) e um velho de Alcabideche (perto de Cascais) tiveram, ambos, o mesmo sonho, no qual aparecia a imagem de Nossa Senhora montada num burrico no cimo das pedras do Cabo da Pedra da Mua. Pondo-se a caminho, inspirados pelo sonho, encontraram-se no cimo do promontório e testemunharam a aparição que lhes tinha sido anunciada. As pegadas das patas do burrico ainda hoje atestam a veracidade do facto, marcadas nas pedras do promontório (na realidade, pegadas de dois tipos de dinossáurios, naquele que é um dos mais extensos trilhos deste tipo).

Descrição:

Santuário situado na ponta do promontório do cabo Espichel. Possui planta em U, gerada pelos edifícios de hospedagem dos romeiros, formando uma praça. Os edifícios de hospedagem, providos de uma arcaria contínua, são muito singelos e remetem para a arquitectura tradicional da região “saloia” (Penínsulas de Lisboa e de Setúbal). No extremo poente da praça, devidamente centrada, encontra-se a Igreja de Nossa Senhora do Cabo. É de nave única desimpedida e púlpito a meio da nave. Pode ser atribuída, pelo desenho, a João Antunes, na altura arquitecto da Casa do Infantado, e a quem poderá ter sido endereçada a encomenda, quase certamente, pelo infante D. Francisco, irmão de D. João V de Portugal e provedor da Irmandade de Nossa Senhora do Cabo. No eixo da praça, no lado oposto ao da igreja, encontra-se um cruzeiro. Na continuação deste eixo, numa colina, encontra-se a Casa da Água, ponto de chegada do aqueduto que servia o santuário. A Casa de Água é uma construção de planta hexagonal, com uma só porta, provida de uma cúpula ondeada de seis panos, coroada por um lanternim. A sua construção, em 1770, foi iniciativa de D. José I, na sequência da estada da corte, que se hospedou no Santuário. Nessa altura, entre 1760 e 1770, foi reforçado o equipamento “social” do santuário, com a edificação de cozinhas, casa do forno e da lenha, cavalariças, cisterna e uma “casa da ópera” – um pequeno teatro com camarins e bastidores, hoje completamente arruinado. À parte, separada deste conjunto, no lugar onde se terá dado a aparição, encontra-se a Ermida da Memória, edifício paralelepipédico com cúpula lisa contracurvada, de datação incerta, eventualmente reconstruído no século XVII e decorado de azulejos com a narrativa do milagre.

View Short Description

As origens do culto recuam até ao século XV, mas a maior parte dos edifícios é dos séculos XVII e XVIII. Santuário de peregrinação com planta em U, formado pelas hospedarias dos romeiros, com a respectiva igreja centrada num dos extremos da praça.

Como foi estabelecida a datação:

Evidência histórica e análise estilística.

Special features

Ermida da Memória

Cabo Espichel, exterior

Século XVII

Desconhecido

A pequena ermida fica isolada. É de planta quadrangular, provida de cúpula contracurvada, coroada por um pináculo em bola, num estilo que, sendo popular, é praticamente indefinido em termos cronológicos. Com a sua forma “cúbica” e a cúpula bolbosa lembra, indubitavelmente, as antigas “cubas” muçulmanas, das quais haveria, certamente, conhecimento.

Igreja

Santuário, extremo oeste

1707–1740

Arquitectura atribuída a João Antunes (1642–1712); pinturas atribuídas a Lourenço da Cunha (act. 1740–1743)

É de concepção classicista, mas tardia, seguindo tipologicamente, pelo interior, o modelo das igrejas ditas “jesuíticas”. Pode ser atribuída, pelo desenho, a João Antunes, na altura arquitecto da Casa do Infantado. A pintura do tecto, com o tema de Nossa Senhora da Assunção, é da autoria do pintor Lourenço da Cunha (1740).

Casa da Água

Santuário, extremo este

Cerca de 1760–1770

Desconhecido

De planta hexagonal, o interior da Casa de Água possui banquetas corridas e decoração em azulejos historiados, com cenas de lazer ou referentes aos romeiros (hoje totalmente delapidados). Ao fundo, encontra-se o chafariz construído em forma de edícula, emoldurado por um relevo liso com chave saliente e encimado por um frontão triangular, com a bica nas fauces de um leão em pedra.

Azulejos representando a lenda do achamento milagroso da imagem de Nossa Senhora

Ermida da Memória, interior

Século XVIII

Desconhecido

Estes azulejos setecentistas relatam a lenda do achamento milagroso da imagem de Nossa Senhora neste mesmo local.

Interior da Capela-mor

Princípios do século XVIII

João Antunes (1642–1712) e outros

O altar-mor, decorado com um enorme retábulo e azulejos no Estilo Nacional, tem, no seu centro, um relicário em prata dourada contendo uma imagem da Nossa Senhora do Cabo Espichel, que foi doado pelos peregrinos de Lisboa, em 1680.

Bibliografia seleccionada:

Romariz, C. e Carvalho, A. M. G. de, “Formações margoglauconíticas do Miocénico superior a norte do Cabo Espichel”, in Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. XIV, Fasc. I. Lisboa, 1961.
Carvalho, A. A. de, D. João V e a arte do seu tempo, 2, Lisboa, 1962.
Ribeiro, O., A Arrábida, Esboço Geográfico, Câmara Municipal de Sesimbra, Sesimbra, 1986.
Serrão, E. da C. e Serrão, V., Sesimbra Monumental e Artística, Sesimbra, 1986.

Citation:

Paulo Pereira "Santuário do Cabo Espichel" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2016. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;35;pt

Autoria da ficha: Paulo PereiraPaulo Pereira

APELIDO: Pereira
NOME PRÓPRIO: Paulo

ORGANISMO: Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa

CARGO/FUNÇÃO: DOCENTE UNIVERSITÁRIO

CV:
Historiador de Arte. Conferencista convidado em diversos seminários e congressos em Portugal, Espanha, França, Itália, EUA e Brasil. É autor e coordenador de várias obras sobre a História da Arte Portuguesa, algumas das quais galardoadas. Comissariou exposições em Gand, Bruxelas, Berlim e Portugal, em cujos catálogos colaborou. Foi Chefe da Divisão de Museus da Câmara Municipal de Lisboa e Vice-Presidente do IPPAR, actual IGESPAR. É docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

Número interno MWNF: PT 35

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