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Fotografia: José Guedes da Silva e António Pacheco
© Dir.Reg.Cult./Governo Regional Açores


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Identificação do Monumento:
Convento de S. Gonçalo
Outra designação:
Recolhimento de S. Gonçalo
Localização:
Paróquia do Santíssimo Salvador da Sé, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal
Data:
Séculos XVII e XVIII
Tipologia do monumento:
Convento e igreja - arquitectura religiosa.
Artistas:
Talha: mestres locais desconhecidos. Azulejaria: Teotónio dos Santos (atrib.) [n.d.]. Pintura: Oficina de Bento Coelho da Silveira (1648-1708) (atrib.).
Encomendado por:
Brás Pires do Canto.
Historial:
Logo que Brás Pires do Canto, padroeiro do convento, obteve o Breve Apostólico para a sua fundação na cidade de Angra, concedido em 1542, pelo Papa Paulo III, iniciou a construção das instalações. Três anos mais tarde, foram admitidas como fundadoras as suas duas filhas. Nos finais do século XVI, o convento ocupava já todo um quarteirão (vd. carta de Joan Hugues van Linschoten, 1595). As freiras, da Ordem de Santa Clara, ficariam conhecidas pela beleza do seu canto, pela perícia na confecção de flores, compotas, doces e demais artes. Este foi o único dos conventos da Ilha Terceira conservado pelo Decreto nº 25 de 17/5/1832, nele se albergando as religiosas dos outros conventos. A sua extinção ocorreu apenas em 1885, aquando da morte da última religiosa. Actualmente, funciona no edifício um jardim-de-infância e um recolhimento, administrados pela Congregação das Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus.
Descrição:
De todos os estabelecimentos religiosos que existiram na Ilha Terceira, apenas o de S. Gonçalo mantém a mesma fisionomia do antigo convento, apesar das várias alterações. Este vasto edifício compreende dois claustros, um a sul, datando da primitiva construção do século XVI, e outro a norte, construído na centúria seguinte, com celas, cozinhas e refeitórios, no andar nobre, e os fornos primitivos e diversas dependências (lojas), no piso térreo.
A igreja, de nave única e dois coros sobrepostos, separados daquela por uma grade oval, emoldurada por talha barroca, integra também grandes painéis azulejares e pinturas a óleo sobre tela, da passagem do século XVII para o século XVIII. Esta unidade ornamental é quebrada pelo retábulo do altar-mor, um trabalho mais tardio, do período rococó.
Como foi estabelecida a datação:
Documentação histórica e análise estilística.

 

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Talha dourada

Nave da igreja

1675–1725 (“Estilo Nacional”)

Mestres escultores locais desconhecidos

Folhas de videira, cachos de uvas, folhas de acanto e em forma de plumagem, pássaros, fénix, combinados com serafins e anjos músicos, emoldurando exuberantemente a grade oblonga dos coros alto e baixo, seis pinturas a óleo sobre tela e as duas janelas que, de ambos os lados da nave, se abrem para o exterior, iluminando-a.
 
 
Pinturas a óleo sobre tela

Nave da igreja

Transição do século XVII para o século XVIII

Atribuídas à oficina de Bento Coelho da Silveira (1648–1708)

Três das seis pinturas representam os ciclos da vida da Virgem e da infância de Jesus.
 
 
Painéis de azulejos

Parte inferior das paredes da igreja

Cerca de 1700-1725

Atribuídos a Teotónio dos Santos (produção azulejar lisboeta)

Quatro painéis de azulejos, dois por banda, um dos quais interrompido pelo púlpito e respectiva escada, revestem a parte inferior das paredes da nave. Estes painéis relatam a história de José do Egipto, cujos passos são elucidados por legendas em Latim. Na parte de baixo de cada painel, estão representados os milagres de São Gonçalo de Amarante.
 
 
Imagem do Divino Imperador

Altar-mor

Século XVII

Desconhecido

Escultura representando Cristo Crucificado, com a coroa e o ceptro de prata dourada, sobre uma cruz revestida a prata filigranada, em conjunto de grande equilíbrio.
 
 
Oratórios

Claustro superior

Séculos XVI, XVII e XVIII

Artistas locais desconhecidos

Existem, hoje em dia, quatro oratórios: Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo, S. Mateus e S. João Baptista. Apresentam retábulos pintados sobre madeira ou tela e os respectivos volantes, uma vez abertos, formam, com as pinturas centrais, trípticos ou polípticos, normalmente relacionados com o tema da pintura central. Os volantes apresentam também, na face exterior, pinturas da mesma época, à excepção do oratório de S. João Baptista.
  Bibliografia seleccionada:
Merelim, P., As Dezoito Paróquias de Angra, Angra do Heroísmo, 1974.
Bottineau, Y., “A Arquitectura nos Açores do Manuelino ao Barroco” in Martins, F. E. O., Arquitectura nos Açores: subsídios para o seu estudo, Horta, ed. SRTT / DRT, 1983, pp. 103–108.
Rosa, M. T., O Convento de S. Gonçalo em Angra do Heroísmo: contributos para o estudo da Arte Religiosa Açoriana, Dissertação de tese de mestrado em História da Arte, Universidade Lusíada, Lisboa, 1998.
Gonçalves, M. C., A Pintura no Convento de S. Gonçalo de Angra. [Trabalho inédito apresentado no âmbito do Seminário “Arte, Património e Identidade dos Açores” da Pós-graduação em Museologia, Património e Desenvolvimento, Universidade dos Açores, 2003].
Citation:
Maria Cristina  Gonçalves "Convento de S. Gonçalo" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;5;pt
Autoria da ficha: Maria Cristina Gonçalves
Copyright images: Direcção Regional da Cultura/Governo Regional dos Açores.
Número interno MWNF: PT 05