Fotografia: Luis Pavão ,  © DDF/IMC,IPFotografia: Luis Pavão,  © DDF/IMC,IP


Designação do objecto:

Contador mogol

Localização:

Lisboa, Portugal

Museu titular:

Museu Nacional de Arte Antiga

Datação do objecto:

Século XVI-XVII

Autor (s) / Mestre (s) / Artesão (s):

Desconhecido

Número inventário do Museu titular:

MNAA / 1312 Mov

Material / Técnica:

Teca, sissó e outras madeiras exóticas; marfim natural e tinto; laca e ferragens em latão; pés entalhados.

Dimensões:

Altura: 140 cm; largura: 142 cm; profundidade: 60 cm (incluindo pés)

Período / Dinastia:

Dinastia mogol

Atelier / Movimento:

Mobiliário indo-português de influência mogol.

Tipologia do objecto:

Mobiliário civil.

Periodo de actividade:

Final do século XVI, início do século XVII

Local de produção:

Sind ou Gujarate.

Descrição:

Na 1ª metade do século XVI, a península indiana foi confrontada com o impacto de duas realidades estrangeiras: o domínio português, na região litoral, e, a partir do norte, aquilo que viria a constituir o vasto domínio mogol.
Entre os imperadores mogóis, destacou-se Akbar (1556-1605), que conseguiu reforçar a sua posição no norte da Índia, após uma luta sem tréguas. Garantida a estabilidade e com as finanças e a economia reorganizadas, Akbar logrou elevar as criações artísticas provenientes dos seus ateliers imperiais ao mais alto nível.
Dotado de curiosidade e de perspicácia ímpares, soube compreender a rica e complexa realidade indiana, assente em tradições hindus e islâmicas, e congregou à sua volta a elite dos artistas das várias províncias do Império que dominava.
Nas oficinas imperiais, dirigidas geralmente por mestres persas, produziram-se obras híbridas, nas quais ressaltam as influências levadas por missionários (sobretudo os jesuítas) e por mercadores europeus e chineses.
Movido pela curiosidade pelos portugueses e pela religião cristã, o imperador pediu às autoridades civis e eclesiásticas de Goa que enviassem uma missão de jesuítas à sua corte.
Da fusão das várias contribuições, resultou uma expressão artística requintada e minuciosa, patente na pintura, nos têxteis, nos metais, no traje e no mobiliário, como é o caso deste contador.
Este magnífico móvel inspira-se nos protótipos portugueses levados para Goa e aí copiados, embora a decoração e a técnica se filiem numa produção mogol.
A frente do móvel apresenta decoração embutida, com o corpo superior formado por doze gavetas iguais, onde cenas de corte, caça e animais são representadas simetricamente, sobre um fundo vegetalista.
No corpo inferior, as portas são decoradas com a Árvore da Vida, junto à qual se destaca o pássaro mítico com elefantes nas garras. Na linha inferior, recortam-se cavaleiros portugueses (identificáveis pelo traje) caçando com grandes lanças. Este contador ilustra eloquentemente o cruzamento de culturas e integra-se nos objectos de luxo apreciados pelas cortes europeias.

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O termo mogol define a dinastia fundada em 1526, por Babur, no norte da Índia. Aplica-se, também, aos objectos produzidos naquela época, que combinavam a diversidade cultural do império com as influências trazidas por missionários e mercadores. O cruzamento de culturas é evidenciado nas portas deste móvel, onde se destacam, pelo seu traje, cavaleiros portugueses caçando com lanças.

Titular original:

Colecção Burnay

Proprietário atual:

Museu Nacional de Arte Antiga

Como foram estabelecidas datação e origem:

Análise estilística e técnica.

Historial da aquisição pelo Museu:

Aquisição em 1936.

Bibliografia seleccionada:

Maclagan, E., Os Jesuítas e o Grão-Mogol, (trad. A. A. Dória), Porto, 1946.
Silva, M. C., “Obras de arte indo-portuguesas de carácter mongólico”, in Garcia de Orta, Lisboa, 1972.
Okada, A. F., Richard, F., Cohen M., A la Cour du Grand Moghol, Paris, 1986.
Pinto, M. H. M., “Art Mogol,” in Via Orientalis, Europalia/91 Portugal, Bruxelas, 1991, pp. 143–8.
Jaffer, A., Luxury Goods from India, Londres, 2002.
Sousa, C. B. de, Encompassing the globe: Portugal and the World in the 16th and 17th centuries, Washington, 2007, pp. 122–123.

Direitos de autor (designação completa):

Direitos de autor fotografias: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.

Citation:

Conceição  Borges de Sousa "Contador mogol" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2016. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=object;BAR;pt;Mus11_A;23;pt

Autoria da ficha: Conceição Borges de SousaConceição Borges de Sousa

APELIDO: Borges de Sousa
NOME PRÓPRIO: Maria da Conceição

LOCAL DE TRABALHO: Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

CARGO: Conservadora das colecções de Mobiliário e Arte Oriental

CV:
Maria da Conceição Borges de Sousa, licenciada em História de Arte, é mestre em Museologia e Património. Como Conservadora no Museu Nacional de Arte Antiga, é responsável pelas colecções de Mobiliário e de Arte Oriental nas suas articulações com a presença portuguesa. Tem participado em numerosas exposições e publicações relacionadas com esta temática de investigação.

Número interno MWNF: PT 26

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