Fotografia: Francisco Matias,  © DDF/IMC,I.P Fotografia: Francisco Matias,  © DDF/IMC,I.P Fotografia: Francisco Matias,  © DDF/IMC,I.PFotografia: Francisco Matias,  © DDF/IMC,I.PFotografia: Francisco Matias,  © DDF/IMC,I.P


Designação do objecto:

Biombo Namban (Namban Byobu)

Localização:

Lisboa, Portugal

Museu titular:

Museu Nacional de Arte Antiga

Datação do objecto:

Cerca de 1593-1600

Autor (s) / Mestre (s) / Artesão (s):

Atribuído a Kano Domi, também conhecido por Pedro Kano Gennosuke, após a conversão ao Cristianismo.

Número inventário do Museu titular:

1638; 1639 Mov

Material / Técnica:

Cor (têmpera) sobre papel, folha de ouro, seda, moldura em laca e metal.

Dimensões:

Altura: 172,8 cm; largura: 380,8 cm; profundidade: 2 cm

Período / Dinastia:

Período Azuchi-Momoyama

Atelier / Movimento:

Escola Kano (Kanoha).

Tipologia do objecto:

Composição incluída na categoria Shoheiga, ou seja, a pintura que utiliza como suporte grandes superfícies de carácter arquitectónico, em que se inserem os biombos. Neste caso específico, pode também utilizar-se a designação mais específica de Byobu-e, ou pintura de biombos.

Periodo de actividade:

Final do século XVI – início do século XVII

Local de produção:

Japão.

Descrição:

Os biombos – namban byobu - de que se conhecem cerca de setenta exemplares, constituem um dos mais impressivos testemunhos pictóricos da visão japonesa sobre os primeiros europeus que chegaram ao Japão, no século XVI. O período entre 1543, data do desembarque dos portugueses, e 1639, ano da sua expulsão definitiva do arquipélago, coincidiu com a emergência da designada namban bijutsu (arte namban), resultante dos contactos estabelecidos entre as civilizações europeia e japonesa.
Este par de biombos de seis folhas segue um dos esquemas mais comuns aos biombos namban com a representação da chegada dos portugueses à costa japonesa: no da esquerda, observa-se o “Grande Navio de Macau”, ou kurofune (o «navio negro»), e, no da direita, o cortejo dos “bárbaros do sul”, namban gyoretsu, que atravessa uma localidade nipónica sob o olhar atento da população. À espera desta comitiva, encontram-se alguns jesuítas, cuja igreja é um edifício japonês com a compartimentação e a caracterização do espaço segundo o modelo autóctone, como é o caso da utilização dos tatami na cobertura do chão, ou dos shoji na divisão interna dos compartimentos. Assim, este par de biombos documenta também o método da «acomodação» praticado pela Companhia de Jesus na missão do Japão, que promovia a adaptação dos europeus à sociedade nipónica.
O cortejo é composto pelo capitão-mor, sob um pára-sol cerimonial, e por funcionários da coroa, marinheiros, escravos de origem africana, indianos e malaios. Os panejamentos e os atavios utilizados pelos fidalgos e pelos mercadores merecem particular atenção: os cordões de ouro, os crucifixos, as espadas e a indumentária, como as bombachas, ou calças em balão utilizadas na Ásia para protecção contra os mosquitos. O botão, desconhecido dos japoneses, foi por eles apropriado, bem como a sua designação, botan.
Os objectos (cadeiras chinesas, lacas, porcelanas e sedas) e a fauna de proveniências distintas são transportados com particular cuidado e testemunham as viagens realizadas pelos portugueses que, por esta altura, se encontravam fixados ao longo da costa do Oceano Índico, do Sudeste asiático e do Mar da China. Alguns destes homens haviam nascido na Ásia e a maioria era já produto do progressivo hibridismo que caracterizou as vidas dos europeus dos séculos XVI e XVII, na Ásia.

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Cerca de 1543, os Portugueses (ou Namban-jin) chegaram ao Japão e iniciaram um período de trocas comerciais e culturais. A arte namban, em que se inscreve este par de biombos, realizada por artistas japoneses, forma um universo material único e original, resultante do fascínio e da curiosidade mutuamente despertados.

Titular original:

Tadau Takamisawa; António da Costa Carneiro

Como foram estabelecidas datação e origem:

Foi Tadao Takamisawa quem atribuiu este par de biombos a Kano Domi, com base em razões de ordem estilística e temática, bem como a partir dos paralelismos pictóricos visíveis noutras obras executadas pela Escola Kano, incluindo o par que ostenta o selo de Kano Naizen, pertencente, tal como este, à colecção do Museu Nacional de Arte Antiga.

Historial da aquisição pelo Museu:

Adquirido na década de 1930 por Tadao Takamisawa, no castelo de um dáimio (grande senhor), perto de Osaka, este par de biombos foi, mais tarde, comprado em Tóquio pelo embaixador Português no Japão, António da Costa Carneiro. Após ter pertencido ao Ministério das Finanças, faz parte da colecção do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, desde 1952.

Bibliografia seleccionada:

Okamoto, Y., The Namban Art of Japan. New York–Tokyo, 1972.
Sakamoto, M., “Namban Byobu (Southern Barbarian Screens)”, in Nihon no bijustsu, nº. 135, Tokyo, 1977.
Arte Namban. Lisboa, 1981.
Pinto, M. H. M., Biombos Namban, Lisboa, 1988.
Arte Namban. Os Portugueses no Japão. Lisboa, 1990.

Direitos de autor (designação completa):

Direitos de autor fotografias: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P.

Citation:

Alexandra Curvelo "Biombo Namban (Namban Byobu)" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2016. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=object;BAR;pt;Mus11_A;28;pt

Autoria da ficha: Alexandra CurveloAlexandra Curvelo

APELIDO: Curvelo
NOME PRÓPRIO: Alexandra

ORGANISMO: Museu Nacional do Azulejo, Lisboa

CARGO/FUNÇÃO: Conservadora de Museu

CV:
Doutorada em História de Arte e especialista em Arte Namban. É Professora Associada da Universidade Nova de Lisboa (UNL), membro do Centro de História de Além-Mar (CHAM) e Conservadora do Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa.

Número interno MWNF: PT 31

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