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Fotografia: Joaquim Real
© Museu-Biblioteca da Casa de Bragança



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Designação do objecto:
Garrafa
Outra designação: Garrafa de Filipe II
Datação do objecto:
Reinado Wanli
Artista(s):
Desconhecido
Tipologia do objecto:
Cerâmica.
Museu titular:
Museu-Biblioteca da Casa de Bragança
Vila Viçosa, Évora, Portugal
Material / Técnica:
Porcelana branca decorada a azul cobalto sob o vidrado.
Dimensões:
Altura: 26,5 cm; largura: 15,1 cm
Período / Dinastia:
Ming
Proveniência:
China.
Descrição:
Em 1580, Portugal passou a ter como rei D. Filipe II de Espanha. Esta mudança política alterou inevitavelmente as relações comerciais com os restantes países europeus bem como o comércio com o Oriente. Devido a esta profunda crise política e económica, os ceramistas de Lisboa tiveram de procurar novos mercados. A porcelana chinesa azul, na sua maioria com decoração do reinado de Wan-Li (1573-1619), serviu de modelo actualizado para a faiança portuguesa da época. As cerâmicas eram exportadas pelas rotas comerciais utilizadas pelos portugueses: das colónias ultramarinas para o Norte e o Nordeste da Europa.
Esta garrafa, de bojo circular e achatado, tem colo cilíndrico e pé trapezoidal. O colo é coberto por uma aplicação de cobre com tampa, ligado por uma corrente, o que significa que podia ser utilizada como copo. Esta forma era pouco habitual na China e inspirou-se provavelmente num protótipo metálico da Ásia Ocidental. Pintada em várias tonalidades de azul, apresenta numa das faces as armas de D. Filipe II de Espanha num medalhão de onde irradiam flores dentro de uma cercadura de pontos. Na face oposta, estão representados um ramo florido e insectos. Ambas as faces têm uma cercadura azul com pontos num tom mais escuro, provável imitação dos pregos utilizados nos exemplares de metal que inspiraram esta peça.
É opinião de Howard e Ayers (1978) que as armas de D. Filipe II de Espanha foram copiadas de uma moeda. Não é, no entanto, evidente como terá sido feita a encomenda, já que, nos anos de 1570, Espanha tinha apenas acesso à China pela Formosa, através das Filipinas, e cerca de 1580, durante um ano, a partir de uma zona concessionada designada Pinal, perto de Macau. Michel Beurdeley (1962) acredita que a colecção de Filipe II teria quase 3000 peças de porcelana chinesa.
Proprietário atual:
João Gonçalo do Amaral Cabral
Como foram estabelecidas datação e origem:
Análise estilística.
Historial da aquisição pelo Museu:
Por empréstimo de João Gonçalo do Amaral Cabral.
Bibliografia seleccionada:
Beurdeley, M., Porcelaine de la Compagnie des Indes, Fribourg, 1962.
Howard, D., Ayers, J., China for the West: Chinese Porcelain and other Decorative Arts for Export, 2 vols, New York, 1978.
Matos, M. A., de, Azul e Branco da China. Porcelana ao tempo dos Descobrimentos, Lisboa, CMAG/IPM, 1997.
Catálogo Caminhos da Porcelana. Dinastias Ming e Qing, Lisboa, 1998.
Citation:
Maria de Jesus Monge "Garrafa" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=object;BAR;pt;Mus11_A;31;pt
Autoria da ficha: Maria de Jesus Monge
Número interno MWNF: PT 34