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Fotografia: José Pessoa
© DDF/IMC,I.P



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Designação do objecto:
Biombos (par)
Outra designação: Biombos Namban
Datação do objecto:
1593–1603
Artista(s):
Kano Naizen  (1570-1616)
Tipologia do objecto:
Artes decorativas, pintura de género.
Museu titular:
Museu Nacional de Arte Antiga
Lisboa, Portugal
Periodo de actividade:
Finais do século XVI
Número inventário do Museu titular:
MNAA 1640 Mov, 1641 Mov
Material / Técnica:
Grade de madeira revestida de papel; folha de ouro; pigmentos minerais; seda; laca e metal.
Local de produção:
Japão.
Dimensões:
Altura: 178 cm; comprimento: 366 cm; profundidade: 2 cm
Atelier / Movimento:
Escola de Kano.
Proveniência:
Aquisição 1954.
Descrição:
O biombo foi usado no Japão para proteger do vento, dividir áreas ou marcar espaços simbólicos. Executados geralmente aos pares, ofereciam uma superfície única para decorar. Chegados ao Japão em 1543, a presença dos portugueses ou namban (equivalente a “estrangeiro” em japonês) terá um profundo impacto durante cerca de um século. Neste par de biombos marcados com o selo de Kano Naizen, destaca-se, em primeiro lugar, o registo da chegada do navio negro português (kurofune) com a sua carga exótica de gentes e preciosidades, minuciosamente descrita pelos pintores da escola de Kano. No primeiro elemento, a nau prepara-se para deixar Goa, a capital do Estado português da Índia, identificada por uma arquitectura estrangeira e dois elefantes; a sua actividade fervilhante é descrita com pormenor e cores brilhantes. Nuvens douradas separam os diversos momentos da composição. A narrativa continua no segundo elemento, com a chegada da nau a um porto japonês, possivelmente Nagasaki. O artista evidenciou a excelência da tripulação, representando-a a realizar verdadeiras acrobacias nos mastros. Em terra, um grupo fiscaliza a descarga da preciosa mercadoria (incluindo animais exóticos). O objectivo principal do negócio consistia na troca da seda chinesa pela prata japonesa, vendida na China com lucros fabulosos. Um cortejo heterogéneo liderado pelo capitão-mor sob um pára-sol integra fidalgos portugueses e mercadores, árabes, indianos, africanos e malaios, com indumentárias pormenorizadamente descritas. À direita, missionários aguardam próximo de uma Igreja. É importante referir que os jesuítas organizaram a presença portuguesa no Japão, dado que o seu trabalho religioso assentava numa abordagem cultural. Os biombos documentam, de forma ímpar, um encontro que uniu, pela primeira vez, duas culturas tão diferentes e distantes.
Proprietário atual:
Museu Nacional de Arte Antiga
Como foram estabelecidas datação e origem:
Os biombos têm o selo do artista Tadao.
Takamizawa, T. e Okamoto, O., in Namban Byobu, 1970. [vd abaixo].
Historial da aquisição pelo Museu:
Aquisição.
Bibliografia seleccionada:
Boxer, C. R., The great ship from Amacon, Lisboa, 1959.
Takamizawa, T., Okamoto, O., Namban Byobu, Tokyo, 1970.
Pinto, M. H. M., Biombos Namban, Lisboa, 1988.
Sousa, C. B. de, Portugiesen in Japan-Die Namban Kunst, Die Grossen sammlungen VIII, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Kunst und Ausstellungshalle der Bundesrepublik, Germany, 1999.
Biombo: Japanese Heritage as a Legend of Gold, Suntory Museum of Art/Osaka Municipal Museum of Art, 2007.
Citation:
Conceição  Borges de Sousa "Biombos (par)" in Discover Baroque Art. Place: Museum With No Frontiers, 2014. http://www.discoverbaroqueart.org/database_item.php?id=object;BAR;pt;Mus11_A;48;pt
Autoria da ficha: Conceição Borges de Sousa
Copyright images: Divisão de Documentação Fotográfica/ Instituto dos Museus e da Conservação,I.P
Número interno MWNF: PT 51